quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Escondida do mundo em 2017

Então o mundo continua girando? Onde foi que me perdi? Esqueci o calendário, quase nem olho as horas, os dias estão todos iguais! E sim, o mundo continua girando enquanto eu sigo o curso no rio da vida, as vezes na superfície, as vezes submersa encarando o fundo onde tudo é escuro e nada faz sentido. Às vezes só com o nariz para fora da água, esperando alguém que me puxe para a superfície e tentando fugir daqueles que querem me afundar ainda mais... e outra vez eles conseguiram me enterrar na lama do fundo do rio... Fiquei presa em dias negros, dominados pela dor, culpa, arrependimento, falta de esperança, tão angustiada por estar presa e não saber o caminho para voltar à superfície e respirar, respirar, respirar. Fui obrigada a ter coragem e muita força para tomar o último fôlego e emergir, para buscar ajuda e sair do fundo foi um processo doloroso, mas eu consegui e aos poucos estou vindo à tona, com algumas mudanças dentro da minha cabeça que ainda não sei dizer se são boas ou ruins. Estou curtindo cada momento dentro da minha casa, curtindo o ciclo dormir, assistir filmes, descansar, tomar longos banhos, preparar refeições. Estou conseguindo esvaziar a minha mente com muita facilidade. Quando surge um pensamento ruim, que me cause tristeza ou ansiedade, simplesmente bloqueio e vou curtir um vídeo engraçado no youtube. Durmo bastante numa semana e bem menos na outra. Procrastinando muito! Não sei de nada, não quero pensar ou conversar sobre assuntos que me deixam nervosa, só quero curtir a minha paz. 

Aos 14

Eu me equilibrava em cima do muro enquanto colhia pitangas. O cheiro das manhãs embaladas por estudos e mate doce com canela. A companhia amorosa da Vó. Os hormônios começando a dar as caras, eu deixando de ser menina para me tornar mulher, escolhendo amores. Os passeios com as amigas na praça da cidade, aos domingos à tardinha. As risadas infinitas em aula e fora dela. Tudo era vida, sonhos, amizades, despreocupação (meu único dever era estudar). Lembro claramente da luz do sol tímido da manhã iluminando o pátio, visto pela janela do meu quarto. Ouço a Vó cantarolando enquanto fazia o almoço e batendo as panelas. Não pensava muito no futuro, o presente era deliciosamente e inocentemente vivido. A maldade humana era algo muito distante. A vida era colorida aos 14.

As flores que tu plantastes estão novamente perfumando tudo nesta primavera. As árvores, também plantadas por ti, estão carregadas de flores, como se tuas mãos zelosas ainda as protegessem das ervas daninhas. Trezentos e sessenta e cinco longos dias já se passaram desde a tua partida. O sol continua raiando e se pondo, e eu por vezes me pego sorrindo. Por muito tempo achei que não suportaria tua ausência: quando fraquejei, sempre tentei imaginar que conselhos tu me darias no momento de fragilidade e eles vieram sempre, como um relâmpago na mente iluminando a escuridão. E isso me fez ter a certeza de que continuamos juntas, conectadas de alguma forma, a ponto de teus conselhos serem quase audíveis. O amor é o mesmo, a saudade nunca termina e por vezes ainda não consigo acreditar que tu não estás por perto. Ainda não esqueci o número do teu telefone, tua voz, o nome dos teus remédios, tuas dores, o som da tua risada quando eu te fazia sentir cócegas. Às vezes parece que tudo mudou e o mundo não tem mais a mesma cor. Depois parece que nada mudou, que tu só continuas morando longe e que a gente se fala com frequencia. De qualquer forma, tu continuas viva: em mim.

Futuro

E foi então que o dia mais esperado por ela chegou. Desembarcou e andou rapidamente pelo saguão do aeroporto até que, ao olhar para frente, seus olhos encontraram os dele. O tempo parou durante os aqueles segundos: o mundo continuou a girar, as pessoas a correrem para seus destinos, mas para ela só existiam os dois ali, ela olhando fixamente para o homem que mais amou na vida, ele com a cabeça um pouco baixa, sério, mas que não conteve o sorriso quando a viu olhando para ele, sorrindo também. Seus corpos se encontraram em um longo e apertado abraço, corações batendo forte, rostos colados e ela flutuando no doce sabor da felicidade. Foram anos sonhando com este reencontro, tantas lágrimas derramadas de saudade. Tanto sim, quando deveria dizer não. Depois do abraço, deram as mãos (para então nunca mais soltar) e foram em direção ao carro, onde a família dele a esperava, para juntos construírem uma nova história, recuperar o tempo perdido, amar por todo tempo que seus corações viveram separados.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Sonho ou pesadelo?

Senti o calor da tua pele em minhas mãos

O suor quente foi como combustível

Vi meu corpo estremecer quando você me pegou no colo

E me colocou sentada, na altura certa pro teu prazer

O encaixe foi perfeito

Tua boca quente percorreu meu pescoço, minha boca, meus seios

Enquanto éramos dominados pelo desejo

Depois foi a vez de a minha boca mostrar o que sei fazer de melhor

Que é te levar ao céu

Dessa vez minha mente foi longe demais

Quase pude sentir o teu cheiro

Mas o despertador tocou

Foi só mais um sonho sórdido

E eu tive que acordar

Mesmo querendo continuar ali

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Enigma Indecifrável

Enquanto ouço os acordes de guitarra psicodélicos daquela banda britânica tão familiar, perco tempo, perco a hora e quase sempre perco a cabeça na vã tentativa de encontrar uma palavra ou expressão que seja capaz de definir essa não-relação. Ele, enigma: "indivíduo cujas atitudes e sentimentos são indecifráveis", prefere sempre o anonimato, não corresponde às minhas investidas curiosas, despreza meus gostos políticos e minha medíocre inteligência do alto do pedestal em que se encontra, entre seus muitos títulos e possíveis condecorações caso uma guerra fosse deflagrada hoje. E no fundo do abismo que nos separa, tem uma química incontrolável que nos une. Tudo que desconheço de sua personalidade, conheço em centímetros quadrados de seu corpo. A não-relação que no passado distante se tratava de luxúria, álcool e drogas agora está a um passo da evolução. E não é uma evolução clichê, porque nada desde o começo aconteceu como os romances baratos prevêem. Está chegando a hora de colocarmos nossos desejos antigos em prática, tornar realidade os momentos idealizados e só então descobrir verdadeiramente a razão de tudo, desde o começo. Na vitrine, uma vida "normal"; nos bastidores dominador e dominada?

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Alta velocidade

O ponteiro que marca a velocidade não tem mais para onde ir, chegou ao fim da linha e treme como alguém tendo uma convulsão. Ela corajosamente coloca cabelos, rosto e braços para fora do carro e curte o vento no rosto de quando se está há mais de 200km/h. O volume mais alto do som toca uma música eletrônica que levantaria até um acamado de seu leito desprezível. E ela vai curtindo a batida, aproveitando os momentos em que a adrenalina anestesia as dores que ardem em seu coração. Volta para o carro e faz uma carreira de cocaína na mão mesmo e cheira como se inalasse o perfume dos Deuses! E onde essa noitada vai acabar? Não interessa! Ela só quer curtir sem pensar no amanhã e aceita correr os riscos, pois se o pior acontecer a lição que fica é a de que ela morreu tentando esquecer todo entulho acumulado em seu coração, morreu tentando juntar os pedaços de si mesma que foram se espalhando com o vento depois que ele partiu e a partiu... Ela não foi capaz de apagar as marcas, as lembranças, a saudade... e as carreiras cheiradas foram utopicamente poeira do seu próprio ser que ela inalou, na inútil tentativa de se restituir...