sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
O indecifrável
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Sem chão
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Sobre a dor mais profunda
E de repente aquele coração que sempre te encheu de amor e te deu tudo que precisavas para que tu crescesses feliz, para de bater. Como a chama de uma vela que ainda resta no pavio, mesmo depois de toda cera ter derretido simplesmente se apaga, assim foram os últimos suspiros da pessoa mais importante da minha vida. Ali, já sem consciência, jazia em um leito de sofrimento, mas não sem receber todo o meu amor. E todas as minhas preces foram atendidas: já que o caso era irreversível, que seu sofrimento não fosse longo. Quando vi seu semblante esbranquiçado, perdi o chão embaixo dos meus pés. E agora, pra quem vou correr quando tudo der errado? E pra quem vou contar minhas alegrias, pra encher de orgulho? Mas por mais sozinha que eu me sinta, nosso elo é forte demais para ser quebrado pela distância física. A morte nunca será capaz de nos afastar, pois ela está em mim, no meu DNA, no meu inconsciente, na minha personalidade, está em quem eu sou, em quem eu me tornei e em quem eu quero ser a partir de agora. Para sempre em mim, para sempre comigo.
sábado, 17 de outubro de 2015
Game
Vejo tudo com falhas, esse sangue que não para, não, é meu batom vermelho borrado depois das bocas que beijei esta noite. O álcool faz minha alma sair do corpo e outro ser o domina, fazendo coisas que eu não queria fazer, deitando em camas que não são a minha, ah, mas eu gosto desse poder, de manipular os desejos dos homens, seduzi-los, fazer com que não resistam a mim... esse é meu poder... e sim, tudo que eu faço é porque eu quero fazer, mas não impeça que eu me acabe em uns shots de tequila ouro com muito sal... depois eu vejo só luzes vermelhas, batom vermelho borrado e sangue... porque este é meu prazer, essa é minha diversão, perder a noção e agir por instinto...
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Despedida
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Carta para quem desistiu
Quatro horas da manhã quando os vizinhos escutaram um som indecifrável e inimaginável: o som do que restou dela ao sofrer o impacto contra o chão. Naquela noite ela tomou a decisão mais difícil, mas nada importava mais. Deixou tudo para trás e decidiu voar para o fim de todas as suas dores, abriu os braços e imaginou-se como um pássaro que se prepara para dar um rasante... jogando-se ao abismo, desistindo de tudo e saltando do décimo andar. Levou consigo seus planos inacabados, seus sonhos não realizados, as gargalhadas que ainda daria e as lágrimas de felicidade que choraria ao longo dos anos, até seu último suspiro natural. Enterrou consigo todos os seus medos, decepções, dores e angústias que naquela noite gritaram ardentemente em seus ouvidos, a obrigando a desistir. Linda, eu entendo você e não lhe julgo, eu mesma quase desisti e lamento por você não ter conseguido resistir mais um pouco, não ter cruzado em seu caminho com um médico e o tratamento certo, com um pingo de esperança, uma porta aberta ou um abraço acolhedor naquela noite. Não se deixe levar pela lembrança do que poderia ter vivido, descanse agora, sua dor chegou ao fim.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Sobre o incurável
Um dia cinza e frio, uma tristeza, uma xícara de café e o pensamento há milhares de quilômetros daqui. Por vezes, o pensamento voa para milhares de dias que já vivi e eis aqui o imutável e a causa do meu desconsolo: a impossibilidade de viver novamente certos momentos que de tão marcantes e intensos, se tornaram inesquecíveis. Nove anos já se passaram, mas as vezes parece que foi ontem e temo pelo dia em que vou pensar "50 anos já se passaram, mas parece que foi ontem". Alguma coisa em mim não consegue acreditar que aquela história simplesmente acabou, como qualquer outra e que eu nunca mais vou olhar para aqueles olhos intrigantes, aquele cabelo arredio e aquele sorriso envolvente. E exclamo e grito: como eu queria me convencer que acabou! Mas não... em algum lugar do meu coração existe uma pequena (mas forte) esperança de que um dia, talvez com 70 anos, poderei mirar aqueles olhos novamente e ver o menino que eu amei, que me fez conhecer o amor e a dor, na mesma intensidade. A única coisa que o tempo foi capaz de apagar foram as mágoas... nem lembro das palavras rudes, das discussões severas, das procuras por puro interesse, das vezes que o mundo dizia que ele "estava me usando"... Estes anos todos passaram e quando penso nele só sei desejar coisas boas, felicidade, amor, alegrias e que ele tenha uma vida tranquila e duradoura, diferente de outros tempos em que eu só conseguia desejar que ele chorasse todas as lágrimas que um dia derramei. Naquele tempo, éramos tão jovens, de humor volátil, explosivo e extremamente imaturos, eu não sabia amar, muito menos ele. Do mundo pouco sabíamos, tão pouco do amor. Hoje temos vidas tão diferentes, realidades distantes e o meu lamento não é por não te-lo hoje. Minha dor é por saber que aquele cara que eu amei não existe mais.