Estou trancada em um lugar escuro e frio. Cansada de gritar, gritar e não ser ouvida. Cansada de querer realizar sonhos e os mesmos se esfacelarem diante de mim, sem dó. Cansada de conviver com o egoísmo desenfreado que me esmaga feito uma formiga diante do ser humano que a pisa sem perceber. A dor me aperta a garganta como duas garras fortes que eu não posso impedir, ainda que use todas as minhas forças. Não há vida nos meus olhos, meu comportamento não passa de um teatro pra tentar parecer normal. E o amor que sinto vem morrendo aos poucos, como quem acaba de receber a notícia de que está com câncer e não quer aceitar a morte breve. Morre o que sinto enquanto eu morro junto, nessa relação parasita entre o que sou e o amor que carrego.
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Devassa
Você vai ver nos meus olhos do que eu tô afim. Minha boca vai se entreabrir e sem perceber vou lamber e morder meus lábios. Como um leão na espreita de pegar a presa, vou te olhar com os olhos semicerrados. Vou revira-los. Vou arder. Vou passar minhas mãos entre minhas coxas, vou apertar, arranhar e você não vai saber pra onde olhar. Vai se perder. Vou tirar a calcinha, vou me tocar de pernas abertas, num espetáculo erótico feito só pra você. Vou arrancar a minha blusa. Segure-se. Vou apertar meus seios, tocar os mamilos, e nessa hora você vai implorar por mim. Vai me atacar num golpe duro e incontido. Vai penetrar fundo e forte até eu me contorcer. Vai explodir de prazer.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Partida
Não consigo pensar nas palavras certas para definir o que estou sentindo e sei que não conseguirei ser clara o bastante. Minha auto-estima à níveis polares se considerada na escala de graus célsius, grita que eu sou muito diferente do que tu mereces e precisas. Não sou discreta, não falo baixo, bebo e fumo, sou uma doida varrida e inconstante, de uma intensidade incontável e tu não me aceitas assim, sempre quer que eu mude e mude e mude. E tem coisas que não podemos mudar, são traços de nossa personalidade, reações naturais. E tu não me aceitas como eu sou, esse ser incompleto e indefinido. Exige de mim uma mudança que eu não tenho como te dar. E antes que a mágoa nos corroa e desgaste o sentimento que ainda existe, minhas malas estão prontas na sala. Estou pegando o carro e indo pra qualquer lugar, na ânsia da liberdade de poder ser quem eu sou.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Fim de tarde
O dia está acabando, a sexta-feira foi longa e o trânsito ainda está um caos. Meu cabelo está despenteado, a maquiagem foi sugada pelo desgaste da rotina, o salto joguei para o banco de trás do carro. Minha mente só consegue pensar no momento em que vou entrar em casa, tirar a roupa, entrar na banheira com uma taça de vinho do lado, uma música relaxante no rádio, esperando ele chegar, obviamente tão cansado como eu. Só quero que ele tire a roupa devagar, respire fundo, sirva mais um vinho e venha me acompanhar. Quero suspirar, olhar nos olhos dele e dizer o quanto estou feliz por esse momento, pela nossa relação, por poder olhar nos olhos dele e rezar para que o tempo passe devagar. Depois do banho longo, dos beijos lentos e carinhosos, quero ir até a cozinha preparar o nosso jantar, sem me importar com o que marcam os ponteiros do relógio. Quero comer devagar, ainda olhando nos olhos dele e rindo dos medos que sentíamos quando nos conhecemos. Quero mais uma taça de vinho para corar meu rosto e me fazer relaxar ainda mais. Quero passos lentos de dança, com o corpo dele embalando o meu, em seus braços. Depois eu quero me aninhar no sofá e no colo dele até o sono chegar e ele me chamar para ir pra cama. Quero recostar a cabeça em seu peito e esquecer a vida lá fora. Quero que o calor do corpo dele seja meu cobertor, e quero dormir e dormindo sonhar que isso nunca acabe. Que nosso amor seja eterno.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Descompassos
O trem anda tão rápido que mal posso ver a paisagem lá fora. Os carros vão ficando para trás e no meio do céu cinza, uma fenda, de onde é possível ver o azul anil. O amor dói, se não doesse não era amor. O amor constrói, mas com a mesma facilidade pode destruir tudo em segundos. Nosso caso não passou de só mais um desses em que um sai sorrindo e o outro fica se arrastando e mendigando por vida. Conhecer você foi como adentrar na fenda azul que fica no meio do céu cinza. Foi como abrir a janela depois de uma longa noite escura e ver o sol entrar, iluminando... E aí veio a chuva que molhou nossos sonhos. Lavou teus sentimentos me levando embora como se eu fosse a sujeira.

