Eu não quero mais falar desses amores e dessas coisas tolas que deixam as pessoas suspirando e andando distraídas por aí. Queria falar de amor de uma forma prática, pragmática e formal. Busco e rebusco as palavras no dicionário, nos melhores guias científicos e acadêmicos que seriam, em tese, as melhores fontes para definir algo que não vemos e não tocamos, apenas sentimos. Como definir o que se sente? Como descrever de uma maneira inteligível as mil sensações ocorridas no nosso cérebro apenas ao ver em um pedaço de papel a imagem o ser amado? Queria poder descrever minuciosamente cada sensação e entender o porquê de cada uma delas. Por exemplo, por que nosso coração bate mais forte quando nossos olhos encontram os olhos do objeto de nossa paixão? Que descargas elétricas e hormonais definem a nossa tendência a gostar mais de uma pessoa e menos de outra? Que pré-conceitos cerebrais nos levam a definir um esteriótipo de homem/mulher preferidos? Essa não é a primeira e nem será a última vez que estes questionamentos virão, não só para minha vida, mas para a vida de muitos seres mortais, poetas e boêmios. Pobre de mim que trago tamanhas dúvidas, que nem em séculos puderam ser respondidas... Enfim, do amor só se pode dizer uma coisa: não tente entender, apenas SINTA...
terça-feira, 10 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Devaneios tolos
Eu queria escrever, mas não há nada a dizer. A mente tão acelerada, os problemas me sufocando e no meio disso tudo ainda consigo falar de amor, de sonhos... mas chega. Quero me transformar num balão de gás hélio de escapar dos dedos da criança, e subir ao céu, sem pressa, olhando a vida ficar lá embaixo. Quero me perder entre as ondas e quando perceber estarei flutuando de braços abertos em alto mar, olhando o céu, ouvindo só a água. Quero ficar presa num quarto todo branco, sentido as horas passarem enquanto sinto o tempo me castigando e matando minhas células, uma a uma, enquanto outras tantas nascem em seus lugares. Quero o silêncio absoluto. Meu lugar é num hospício, ali, olhando pro nada, fazendo do tic-tac do relógio uma canção, fazendo história para a formiga que passa no chão e imaginando que ela é a princesa do formigueiro e está passeando, arteira e curiosa. Queria me deitar na areia do mar e gritar até meus pulmões explodirem, gritar sem ser ouvida, gritar sem que me pedissem pra parar. Minha vida é um grande brinquedo que me deram e não me ensinaram a brincar e eu fico ali parada, admirando-a, sem saber o que fazer. Não quero que o sol apareça, o cinza do céu combina tanto comigo...
Meu sonho
Eu nunca o toquei. Eu nunca senti o cheiro da pele dele. Nunca pude sentir o arrepio ao ter meus olhos colados nos dele por mais de três segundos. Nunca me vi no espelho brilhoso daqueles olhos quase verdes. Nunca tive o privilégio de conhecer o sabor de um beijo dele, a textura da pele de suas mãos. Nunca senti o calor de um abraço, nunca acordei com ele do meu lado.
Nossas vidas são baseadas no "nunca", mas esse "nunca" vai ser deixado para trás. Então poderei dizer que conheço o cheiro dele, o toque, os olhares, que me vi nos olhos dele, que me arrepiei na primeira vez que nossos olhos se encontraram. Que o beijo dele é um encanto e a pele dele, ao entrar em contato com a minha, dispara meu coração. Que um dia acordei do lado dele e me aqueci no seu abraço.
Sonho com isso como sonho com o dia em que ele vai me ligar e o diálogo vai ser assim:
- Está tudo certo, tudo pronto, te esperando.
- Hum. - direi eu, incrédula.
- Faz as malas que estou indo te buscar, te roubar para viver pra sempre comigo.
- Jura??? - direi eu, mais incrédula ainda.
- Quero que seja minha mulher, que seja dona da minha casa, cuide de mim e do nosso lar, me espere todos os dias perfumada e cheia de carinho para me dar.
- Nossa! - ainda incrédula, mas muito surpresa e feliz e encantada.
- Em compensação, a paz que eu sei que você sempre procurou, finalmente você terá. Poderá ficar tranquila, para o resto da sua vida.
- Como assim?
- Eu cuidarei de tudo e você só terá que cuidar de nós.
Depois desta ligação, em 24 horas eu estaria há 1000 km daqui e para sempre colada na felicidade,
que hoje tem nome e sobrenome...
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
E aí?
Você tem plena confiança de que está muito bem sozinha, com o coração vazio, "antes só do que mal acompanhada", até que para e pensa, pensa de novo, pensa mais um pouco, pensa no trem, caminhando na rua, vendo um filme, conversando com amigos e admite, com a maior sinceridade do mundo, que está na hora de ter alguém. Admite, sem medo, que está carente sim, que está precisando de carinho, companhia, parceria ou no mínimo de alguém para te dar um pouco de adrenalina, movimentar um pouco seu mundo que virou em livros, filmes, trabalho e cama, todos os dias. Se olha no espelho e, com coragem, admite que um cara nesse momento de sua vida ia lhe fazer muito bem. Admite, mas não procura, como diz a velha frase: fica esperando o inesperado acontecer. E daí ele acontece, num encontro arranjado, num sábado quente em que você hesitou e quase desistiu de ir, por puro medo. O inesperado não era exatamente o teu tipo, tem alguns defeitos repugnantes, mas consertáveis e você resolve arriscar, pelo menos num primeiro momento. E arrisca, e se entrega, sem pensar e quando se dá por conta está encantada com uma pessoa que é totalmente o oposto de você. Resolve viver tudo, curtir tudo, conhecer o máximo possível, sente-se suspirando sem perceber, coração acelera e a pele arrepia. Mas o fim de semana acaba. Você volta pra casa com a cabeça em frangalhos, totalmente desestabilizada. O medo começa a dizer que é muito arriscado se envolver com alguém, porque pode sofrer de novo e aquele diabinho fica gritando no seu ouvido "arrisca, arrisca". Está feita a merda: você mesma criou uma encruzilhada em sua vida e agora não sabe o que fazer, está instaurado o dilema e coloca-se aí não só o medo de si mesma sofrer, mas também o medo de fazer outra pessoa sofrer, porque a vida cobra quando a gente faz isso. E aí dá saudade dos dias vazios e sem graça em que você não pensava em ninguém, não queria ninguém e nem seu corpo, desacostumado com carinho, lhe exigia feroz por atenção do sexo oposto. Alguém aponta aí uma solução?
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Vingança, ou não?
E enfim, depois de tudo, depois de pensar que tudo estava morto e enterrado eu tive uma recaída e tentei o último suspiro, a última tentativa de fazer o ar entrar nos pulmões como quem está se afogando. Meu coração bobo e mais mole do que maria-mole, ofertou, de graça, mesmo sem que ele merecesse, mais uma chance. O covarde, "cachorrinho" como ele mesmo se define, não quis arriscar, não quis honrar o fato de eu ter entrado na vida dele muito antes de todas essas coisas acontecerem....
E como é difícil, agora, controlar a raiva e não jogar areia nesse relacionamento ridículo em que ela botou a coleira e ele ainda "balançou o rabo" de feliz. Só de imaginar ela se sentindo O MULHERÃO, A PODEROSA porque tem ele nas mãos dela, ou melhor, ela acha que tem, porque se eu perco a cabeça eu lanço uma indireta de que ele nem sempre foi tão fiel assim...
Queria gritar na cara dessa mulher que ela roubou o meu homem, então, em tese, eu teria o direito de tê-lo a hora que eu quisesse... Minha cabeça vira um turbilhão movido pelo recalque e o abandono porque uma mulher traída e trocada por outra é um perigo por aí...
A sorte desses dois é que existe algo que me freia que é a lei do retorno. Eu acredito que tudo o que eu fizer, de alguma forma, retorna. Então eu me seguro para não jogar a "merda no ventilador" e acabar ligeirinho com esse teatrinho.
Até porque, pensando bem racionalmente, eu deveria era ter ódio dele, nem ódio: deveria sentir o maior desprezo por essa criatura infame, que teve todas as oportunidades de estar comigo mas preferiu ela. Sim, obviamente, alguém de mínimo intelecto, mínima escolaridade e com uma profissão que nunca vai mudar, não faz jus à mim. É lógico que mente pequena, combina com mente pequena.
E aí eu me pergunto: ele me feriu. Teria eu o direito de vingança? Ou meus "maus atos" voltariam em forma de mal para mim? Ou seria eu apenas uma peça do destino para levar para ele o retorno de ter me ferido?
???
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
O que ainda não foi dito
Você me deu todos os sinais de que não estava mais afim ou de que não estava tão afim de mim quanto eu de você, que tinha mergulhado de cabeça e tirado vida e alegria de todos os nossos momentos juntos. Você tentou inúmeras vezes me falar mas a minha cabeça tão desconexa só via o que eu queria enxergar e achava que seria para sempre, descartando qualquer pensamento que viesse sobre nunca mais te ver.
Eu te procurei incansavelmente, puxei conversa todos os dias e as tuas investidas alimentavam minhas esperanças como naquela manhã que você me ligou assustado por causa de uma música que publiquei que dizia que não dava mais. Achei que estava fazendo tudo certo para te manter ao meu lado sempre que eu quisesse, te deixando livre para viver e conhecer qualquer pessoa, como de fato aconteceu.
E você foi me levando no banho-maria, me tratando como uma carta na manga, a opção na falta de opção e meu coração aceitando e se submetendo, porque eu gostava de ti mais do que eu pude mensurar. Sei que meus erros que não foram poucos pesaram contra mim, como na noite em que enchi a cara e te mandei onze mensagens de texto como uma doida desesperada.
Aceitei, embora contrariada, em ser a "outra", mais uma vez, porque gostava tanto de ti a ponto de fazer o que fosse para te ter de vez em quando. Até que a tua covardia foi maior do que qualquer resto de paciência que eu ainda tinha, quando disse que iria se sentir mal e com peso na consciência por me ver, admitindo que era covarde.
Foi daí que eu tomei uma atitude que nunca tinha tomado antes, uma atitude de falar tudo o que eu pensava e sentia realmente e te dizer que não te queria mais, que nossa historia de faz de conta acabava ali porque eu não aguentei ficar o dia dos namorados sozinha sabendo que tu estavas com ela e, nem assim, ser capaz de me dar um pouco de atenção depois dessa data idiota.
Não vou negar que sinto a tua falta, que lembro de ti em quase todos os dias, que meu corpo chama pelo teu tão alto que quase posso ouvir. Não vou negar, também, que já me arrependi tantas vezes por ter cortado relação contigo, porque tua amizade, ter a liberdade de conversarmos, desabafar e poder saber de ti era tão ou mais importante do que teus beijos, teu toque, sentir teu corpo no meu.
Descobri no fim de tudo que, eu que sempre voltei atrás quando me arrependi, aprendi a ter um orgulho próprio que antes não existia, que me impede e me faz forte quando tenho vontade de fraquejar. O saldo positivo foi esse: aprender a colocar um fim no que não me faz bem, não me satisfaz. Aprender que, acima de tudo, eu tenho que estar feliz com uma relação. Chega dessa historinha de se doar para ter o nada em troca. Agora sou EU, em primeiro lugar.

Leminski
Objeto
de meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo
seja estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza
faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
SEJA
Paulo Leminski
de meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo
seja estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza
faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
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