Que o amor seja o motivo das minhas palavras. Que o desamor tenha ficado no passado, morto e enterrado. Que os dias sejam de alegrias e que eu tenha motivos para suspirar. Que a paixão seja duradoura, que inunde, que complete, transborde. Que os meus passos sejam firmes e sempre em frente. Que meu caminho seja reto e que as pedras que aparecerem eu as possa transpor. Que daqui as coisas só melhorem. Que as lembranças, boas e más, sejam o meu alicerce, guiando as decisões futuras. Que as lágrimas sejam de alegrias, que a morte de mim desvie, que os amigos sejam verdadeiros. Que as alegrias sejam infindas, que as ânsias sejam leves e que o tempo passe devagar. Que as viagens sejam longas. E que quem eu encontrar de hoje em diante só me faça bem. Que assim seja!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
O violonista
Seus dedos correm soltos no violão, feito o corpo da mulher desejada: faz carinhos nas cordas como na pele, aperta como num abraço, agarra com a delicadeza necessária. E o violão geme, cantarola as notas com perfeição, como o suspiro de quem recebe o toque do ser amado. De sua boca sai uma voz grave, dado o grande homem que és, mas que, feita em canção e combinada ao som do violão, embala minhas tardes frias na solidão desse apartamento. Entra em meus ouvidos suave feito poema, doce como um alfajor... Te ouvir é como te ter. A música é a personalização do homem que a canta.
Um gaúcho
Encostado em uma árvore, segurando a cuia com dedicação, bombachas largas como um bom gaúcho e uma boina enfiada no rosto, escondendo o tesouro que são seus olhos azuis - foi assim que o conheci numa noite triste do mês de agosto. Dizem as más línguas que agosto é o mês do desgosto e ele surgiu pra quebrar com esta sina. Entrou na minha vida de leve, um homem à moda antiga, contido por sua timidez - que eu atropelei numa ânsia imatura de amar. A madrugada foi pequena e, embora o frio fosse de "renguear cusco", pouco percebi, já que o calor daquele abraço me envolvia e preenchia.
Ele não torce pelo mesmo time que eu e nem dá bola pra futebol, mas não admite que falem mal do time dele. É calmo feito água de poço, é justo e vira uma fera com quem age de má fé. Um homem aparentemente rude, mas dono de um coração imenso. Sabe tudo de zoologia, botânica e licenciamentos. Quer alegrá-lo? Deixe-o ficar dentro de uma floresta. Caminhar no meio mato, olhando cada flor, cada árvore, cada inseto. A natureza parece que percebe e reconhece quem a ama e a preserva - o recebe com todo seu encanto. Acolhe este homem que a ama e a cuida incansavelmente. Este homem é orgulhoso de ser chamado de gaúcho, é dono de um nacionalismo que poucos gaúchos da idade dele tem. E eu, boba que sou, um dia, à ele, entreguei o meu coração e ele o colocou no bolso.
Agora só peço pra esse moço, que me devolvas.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Tudo aquilo que nunca foi dito
Sim, Ela amou. Foi o sentimento mais lindo, puro e verdadeiro que ela já sentiu. Sonhava acordada, planejou uma vida ao lado daquele homem. Ele a correspondia, enchia ela de mimos, carinho, proteção.
Era tudo perfeito. Um casal que exalava sentimento, era como se já se conhecessem há anos, uma intimidade profunda, paixão imensurável. Uns diziam que eram almas gêmeas, outros falavam que eles nasceram um para o outro. Ela realmente amou. Verdadeiramente amou. Sentia as famosas borboletas no estômago antes de encontrá-lo, o beijo dele era o melhor que ela já tinha experimentado, ela chorou muito em cada despedida - ainda que a ausência fosse por poucos dias. Tudo que eles viveram foi muito intenso, verdadeiro, profundo, marcante. As canções mais românticas ouviram juntos em noites frias, em momentos à dois em que o silêncio e a canção falavam por si. Ele mostrou pra ela o quanto sua beleza era excêntrica e autêntica, em cada olhar de admiração. Ela mostrou a paz pra ele: nos momentos difíceis, segurou sua mão, ofereceu seu colo, seus afetos. Juntos descobriram que entre quatro paredes duas pessoas se completam muito mais. Ele é parte dela e ela parte dele. Ele a libertou da prisão, de todas as regras inúteis que ela seguia, segurou-a pela mão e a fez voar... bater asas em direção à um futuro grandioso... Um futuro que seria perfeito se o destino não os tivesse separado. E foi assim que aconteceu. Todo sentimento foi se perdendo nas esquinas da vida, nas quebradas das ruas, na distância. E de todo aquele amor, restou carinho e amizade. E numa sexta-feira fria do mês de julho ele se casou com outra. E ela seguiu colhendo os frutos que ele lhe ajudou a plantar: uma vida profissional excelente. E um coração despedaçado. Ela não acredita mais no amor, entende que o que viveu nunca mais se repetirá e prefere tocar a vida sozinha. Infeliz no amor, se contentando com o trabalho. Ele nem lembra do nome dela. Esqueceu todas as datas. Aposta tudo na nova chance que o amor lhe deu. Mas todo mundo sabe que aqueles olhares (dele e dela) escondem um vazio. Um vazio que tem a forma um do outro. Um vazio que permanecerá vazio. Até que o amanhã resolva mudar tudo. Outra vez.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Meu senhor? Sua escrava!
Não quero lembrar que ele tem todas as qualidades que eu julgo serem
pré-requisitos para que um homem tenha um segundo da minha atenção.
Para que consiga meu interesse. Para que possa pensar na possibilidade de me ter.
Mas ele tem. Ele ME tem.
As consequências dos beijos loucos e avassaladores dele tinham se perdido em meio à tantas memórias,
mas foi só ele se aproximar que eu recordei de cada milímetro daquela boca
que sempre chega revirando tudo.
Atacamos (e não há melhor palavra para definir) um ao outro feito feras famintas e,
embora anestesiados pelos melhores anestésicos e calmantes, nada pode nos segurar.
Me rendi de tal forma que ele arrancou o melhor de mim,
inclusive o prêmio máximo (aquela carta que a gente guarda na manga, a surpresinha fatal).
Foi sem controle, instintivo, estremecedor, a mais pura luxúria.
Quem olha para aquele rosto quase tímido não conhece quem ou o quê mora ali dentro.
Só sei que ele sabe direitinho todos os caminhos que me levam aos píncaros mais pecaminosos
e enlouquecedores. Ele consegue me tirar do sério, descer do salto, esquecer de qualquer
conceito, teoria, tese, trabalho, opinião, horário, compromisso,
qualquer vida lá fora e naquela hora
não existe mais nada, o mundo realmente pára...
Ele existe para me mostrar o que é bom e o que realmente há de bom.
Ele é o meu padrão de excelência.
E o melhor de tudo isso (ou seria pior?) é que não chegou ao fim.
Na verdade, a gente nem começou...
domingo, 20 de maio de 2012
Momento derradeiro

Sentei na mesa de um bar. Caixas de som antigas tocavam exatamente o que eu não precisava ouvir naquele momento: canções bregas e velhas, que falavam de desamor. Sem hesitar, pedi ao garçom que me desse a garrafa de uísque mais podre que ele pudesse encontrar e uma carteira de cigarro da marca mais forte possível, porque enquanto tivesse uma gota na garrafa eu estaria bebendo e enquanto tivesse um cigarro na carteira eu estaria fumando.
Era o meu quase suicídio lento e indolor.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Um pouco de Leoa
Ela ainda está lá, dia após dia. Nas mesmas ruas da cidade em que nasceu, percorrendo sempre os mesmos caminhos, nas mesmas calçadas (ela tem medo de tropeçar nos caminhos em que não conhece). É daquelas que sabe muito bem o que fazer com um estojo de maquiagem e, como se num passe de mágica, transforma o rosto triste e cansado num rosto brilhante e encantador. Suas roupas tem aquele cheiro típico de roupa limpa, bem passadas e dobradas por mãos cuidadosas e, de tão impecável que ela é, seu perfume é inesquecível – apesar de já terem dito que ela continua bela mesmo nas noites frias em que ela não tira as pantufas de cachorrinho que ela tem desde a faculdade.
É inteligente, escreve tão bem, trabalha, estuda, sai com as amigas e ainda arranja tempo para assistir a novela com a vó.
Ela adora cozinhar e faz desta tarefa uma arte, principalmente aos sábados de manhã. Incrementa, inventa, pesquisa novas receitas e está sempre convicta de que no final de semana não basta um feijão com arroz, embora não dispense uma miojo em noites preguiçosas ou um Xis do tio da esquina depois de uma noitada. Se expressa sempre tão bem que qualquer vagabundo entende o que ela quer dizer. Ela sorri quando na verdade queria gritar e berrar tão alto que acordaria a rua inteira. Adora gatos e cachorros, não quer mais casar e nem ter filhos (o desamor muda as pessoas) e não se importa ao pensar em morrer sozinha numa cama com 3 gatos e uma yorkshire, dentro de um quarto de hotel de um lugar qualquer.
O primeiro sinal de que ela está se apaixonando é quando assina o próprio nome com o sobrenome dele. Ela faz isso desde a adolescência e hoje sorri quando se vê fazendo sempre a mesma coisa. Está aprendendo devagar e dolorosamente que cada coisa tem seu tempo.
Ela já viveu a vida com mais vontade. Gostava de dançar, de curtir, de viver. Era difícil encontrá-la em casa numa sexta-feira de noite, nem num sábado a noite. Domingo até vai, mas ela provavelmente estaria de cama, curando o porre da noite anterior e as vezes uma "ressaca moral". Ela sempre vai mandar em si mesma mas, vez ou outra, te dará a liberdade de escolher o sabor da pizza ou o CD que vai tocar. E se você disser que não gostou de alguma coisa ela vai ponderar, repensar, mas ao final sempre decidirá tudo por si mesma. Ela não muda por pouca coisa, mas vai tentar se você pedir com jeito, tiver paciência e conseguir vencer os argumentos dela. Ela cozinha a melhor lasanha do mundo, ela "te dá um baile" numa partida de uno, ela é uma menina dentro de um corpo de mulher e, como qualquer mulher, as vezes vai preferir uma tequila e um "descorno", e amanhã uma sopinha sem sair da cama. Ela é uma surpresa, ela adora surpresas.
Ela sempre prefere surpreender do que ser surpreendida. Ela tem que ter o controle da situação senão se sente perdida. Ela diz que não quer flores, mas se você mandar entregar um lindo buquê de tulipas vermelhas no meio do expediente, ela vai cair em seus braços. Ela adora o brilho dourado de um anel, mas dá um imenso valor para o bilhete que você deixou no espelho ou dentro da carteira e que ela vai achar dias depois.
E todo mundo nota que ela é especial. Ele não nota, ele nunca notou.
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)


