quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O término

Jogou o toco de cigarro pela janela em que estava escorada, enquanto pensava e achava estranho perder alguém que nunca foi dela. O relacionamento (se é que podemos chamar assim) sempre foi de pegação, provocação, um envolvimento totalmente carnal misturado com momentos de carinho. Era uma relação tão frágil que ela nunca conseguiu denominar. Serviu uma dose de um uísque barato, colocou uma música pra tocar, talvez uma canção cujo disco está arranhado de tanto uso. Lembrou das mil histórias já vividas, todas as loucuras cometidas quando a juventude atiçava seus hormônios, estes que a fizeram cair nos braços dele e ambos experimentaram ótimas sensações juntos, algumas inesquecíveis. Brigaram diversas vezes, a espontaneidade dela o irritava, sem contar a língua afiada: ela sempre falava demais. Enfrentaram diversos afastamentos longos, frequentemente motivados pelo melindroso ego dele, mas sempre algo os reaproximava. Talvez o desejo. E um belo dia, tudo acaba, de uma forma lamentável. E o término a fez perceber tudo que ela precisava para virar a página e seguir em frente, super "de boas". Consciente de que cada ser humano é livre, jogou o disco fora e acendeu mais um cigarro na janela, ciente de que ninguém entra na vida de alguém por acaso e as lições aprendidas ficarão guardadas para sempre.

Pensamentos soltos

Vontade insana de viver loucamente, descumprindo as regras impostas por uma sociedade medíocre, em que precisamos suportar pessoas porque precisamos delas, se submeter aos desmandos de seres perversos, cumprir mil tarefas, mil burocracias... e tantas outras merdas  inumeráveis à que somos submetidos diariamente em nome da moral e dos bons costumes, engolindo sapos e bois! E nunca poder perder a cabeça!! Porque tu precisa ser correto, corajoso, trabalhador, etc e etc, mas tudo isso é um saco! Ai que inferno é viver em sociedade! Ao mesmo tempo em que eu quero todos os confortos que o dinheiro pode comprar, uma vida simples, sozinha, no meio do nada, só cuidando de mim... Seria tão incrível! Às vezes queria ter coragem pra chutar o balde e surtar, morar na rua, lutar por grana só pra comida, bebida ou drogas... Viver no mundo da lua, sem se preocupar com casa, trabalho, família, contas pra pagar, a situação do país, metas para o futuro, desejos, sonhos... Simplesmente FODA-SE o mundo e toda sua decadência exponencial! Qual a força que nos mantém sob esse jugo? É o amor. Tivemos a sorte de nascer em lares saudáveis. Aprendemos desde pequenos que temos responsabilidades, que a vida é assim mesmo. Somos fortes por aguentar toda essa pressão. E aqueles que chutam tudo para o alto, é porque muitos deles nunca tiveram um lar como nós tivemos. Eles não têm referências, não aprenderam a amar e serem amados, não tiveram quem lutasse por eles e, infelizmente, aprenderam a sobreviver na rua. E são fortes e corajosos por isso. Essas palavras são meras reflexões, "pensamentos soltos traduzidos em palavras".

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Apenas Sim

Sim. Pra você será sempre sim! Mesmo que hoje nossas vidas sigam por caminhos tão diferentes, mesmo que você nunca lembre de mim e do que nós fomos, dos lindos momentos que passamos juntos, eu sigo aqui, sigo, mas não sem continuar amando cada segundo que vivi ao seu lado, não sem amar para sempre o homem que você era, e era meu. Deixei de lutar contra esse amor infinito, deixei de tentar esquecer você e nem haveria como.


Você foi um divisor de águas na minha vida. Encontrou em mim uma menina, doce e tão sonhadora, que viu em você o príncipe encantado, papel que você cumpriu muito bem durante muitos dias... A menina em seu braços se tornou mulher, e almejou buscar a felicidade ao seu lado. Mas por um acaso do destino, ou um plano divino de amadurecimento e evolução, você desistiu de nós. Demorou muito tempo, mas eu também desisti de sonhar com um "nós", isso é irrecuperável!


Ainda que, dadas as circunstâncias, a possibilidade de que eu olhe em seus olhos novamente seja mínima, lá no fundo de uma gaveta pequena do sótão do meu coração, existe sim uma pequena chama de esperança de que um dia eu tenha oportunidade de buscar em seus olhos um pouco daquele homem que eu amei e amo. Sim, amo. Morrerei amando, e eu aceito isso. A possibilidade de esquecer tudo que você significou é nula.

Os que ficaram pelo caminho

Tem gente que chega na nossa vida e é pura alegria, traz luz e vigor aos nossos dias, vivemos momentos incríveis com elas, mas um belo dia elas simplesmente partem. Seja uma amizade ou um amor, tem gente que é só passageiro no nosso caminho. Tem os que partem porque a vida simplesmente os afastou e hoje vocês tem apenas uma amizade no Facebook, não se falam mais e no máximo curtem uma postagem um do outro. Tem aqueles que partem para a espiritualidade e deixam uma saudade sem fim. E também os que vão embora porque querem ir, como se algo se rompesse. E por tantos outros motivos, todos nós deixamos pessoas pelo caminho porque muitas vezes elas só seguem caminhos diferentes de nós, muitas vezes desentendimentos acontecem e não necessariamente deixamos de gostar dos que partem. Nutro um carinho profundo e um desejo que todos aqueles que ficaram pelo caminho sejam felizes. E que a lei Universal nunca falhe: que cada um colha aquilo que planta. Tudo isso faz parte da vida, quanto antes aceitarmos melhor vai ser.

E
entre aqueles que vão e vem, existem os que escolhem ficar (ainda bem). As amizades que significam tanto a ponto de duas ou mais pessoas ajeitarem a agenda, abrirem mão do conforto de estar em casa e escolherem estar juntas. Os amigos que mesmo sem se ver há anos, a cada reencontro é como se tivessem se visto ontem. Tem aqueles que não conseguem se ver com a frequência que gostariam, mas nunca perdem o contato. Há os que nunca partem, que estão em nossas vidas porque beijam muito bem e a química é evidente, mesmo que não haja uma definição clara de que relação é essa. Há os amores que ficam anos presentes em nossas vidas e depois que partem, o laço é cortado e a gente nem lembra direito do que viveu, apaga as memórias. Há os amores que mesmo tendo partido contra a nossa vontade, mesmo com todas as turbulências vividas, nunca deixaram de ser lembrados. 

Consicentes de que nosso caminho é cheio de chegadas e partidas e que não há como prever quando e em que circunstâncias as pessoas vão partir, que sejamos capazes de viver o momento presente com intensidade, curtindo verdadeiramente todas as pessoas que estão na nossa vida agora, nos esforçando para manter aqueles que realmente importam sempre por perto. Amanhã tudo isso serão memórias.

Mantra

Sinta a batida da música
Permita que o corpo se movimente
Esvazie a mente
Faz de conta que o mundo lá fora não existe
Tudo que importa é o agora
E está tudo bem

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Não sonhe

Quando crianças, temos muitos sonhos, que vão até o infinito: eu quis ser aeromoça, médica, advogada, juíza, quis ser mãe, casar na igreja, ter uma casinha toda bonitinha. Depois me permiti ir mais além porque sonhar ainda não custava nada. Então comecei a sonhar em passar a vida conhecendo lugares novos, ouvindo todas as canções, frequentando todos os bares e provando todas as bebidas, comidas e quantas bocas quisesse beijar, porque eu nunca fui o tipo de pessoa que se preocupa com o que os outros vão pensar. Queria viver livremente pelo mundo, conhecendo pessoas e escrevendo sobre suas lutas, folheando livros em bibliotecas tão grandes que meus olhos seriam incapazes de enxarga-las na totalidade. Quis me conectar com o Universo, me sentir parte dele, aprender a meditar, a fazer viagens astrais, estar sempre em contato com a natureza porque só assim renovamos as energias e tomamos fôlego para continuar. Quis transcender a mim mesma mesmo que para isso fosse necessário recorrer a substâncias que nem sempre são lícitas e aí me pergunto: o que e quem define o que é ou não é lícito? Porque um remédio tarja preta, cigarro e bebida são liberados e outras coisas até bem menos nocivas não são? Foi então que meus lindos sonhos foram barrados pela dura realidade. Tudo que eu sonhei requer dinheiro e dinheiro não nasce em árvore, nem se consegue fácil. Então se não posso realizar meus sonhos, pra que sonhar? Hoje não planejo mais nada. E aquela ideia de que quando a gente fosse adulto saberia como resolver tudo e que teríamos vidas estáveis e confortáveis também não passou de ilusão. Tenho 31 anos e não sei o que eu quero da minha vida. Então, matem seus sonhos o quanto antes, pois a desilusão dói mais que a desesperança (que só te deixa apático na maior parte das vezes). E aí você vira um robô como todos os outros: acorda, trabalha, assiste TV, dorme de novo. Até faz uma ou outra coisa diferente, mas nada tão empolgante, nada que te faça sentir vivo, que dê a sensação de que a vida vale a pena. Na maioria do tempo você se preocupa com tudo, principalmente em ter dinheiro para o básico: ter o que comer e onde dormir. Então aguenta toneladas de pressões para não perder o emprego, não perder o casamento, não destruir relações com pessoas que você ama. Alguns ainda tem ânimo para estudar, querer aprender alguma coisa e de preferência até ganhar um dinheiro com isso. Mas no final do dia você só reza pra dormir bem. Pra que nada de inesperado aconteça. Reza pra que a morte não te arranque pedaços. Mas eu não disse antes que a gente vira robô? Sim, só não conseguimos nos livrar dos sentimentos ainda. 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Escondida do mundo em 2017

Então o mundo continua girando? Onde foi que me perdi? Esqueci o calendário, quase nem olho as horas, os dias estão todos iguais! E sim, o mundo continua girando enquanto eu sigo o curso no rio da vida, as vezes na superfície, as vezes submersa encarando o fundo onde tudo é escuro e nada faz sentido. Às vezes só com o nariz para fora da água, esperando alguém que me puxe para a superfície e tentando fugir daqueles que querem me afundar ainda mais... e outra vez eles conseguiram me enterrar na lama do fundo do rio... Fiquei presa em dias negros, dominados pela dor, culpa, arrependimento, falta de esperança, tão angustiada por estar presa e não saber o caminho para voltar à superfície e respirar, respirar, respirar. Fui obrigada a ter coragem e muita força para tomar o último fôlego e emergir, para buscar ajuda e sair do fundo foi um processo doloroso, mas eu consegui e aos poucos estou vindo à tona, com algumas mudanças dentro da minha cabeça que ainda não sei dizer se são boas ou ruins. Estou curtindo cada momento dentro da minha casa, curtindo o ciclo dormir, assistir filmes, descansar, tomar longos banhos, preparar refeições. Estou conseguindo esvaziar a minha mente com muita facilidade. Quando surge um pensamento ruim, que me cause tristeza ou ansiedade, simplesmente bloqueio e vou curtir um vídeo engraçado no youtube. Durmo bastante numa semana e bem menos na outra. Procrastinando muito! Não sei de nada, não quero pensar ou conversar sobre assuntos que me deixam nervosa, só quero curtir a minha paz. 

Aos 14

Eu me equilibrava em cima do muro enquanto colhia pitangas. O cheiro das manhãs embaladas por estudos e mate doce com canela. A companhia amorosa da Vó. Os hormônios começando a dar as caras, eu deixando de ser menina para me tornar mulher, escolhendo amores. Os passeios com as amigas na praça da cidade, aos domingos à tardinha. As risadas infinitas em aula e fora dela. Tudo era vida, sonhos, amizades, despreocupação (meu único dever era estudar). Lembro claramente da luz do sol tímido da manhã iluminando o pátio, visto pela janela do meu quarto. Ouço a Vó cantarolando enquanto fazia o almoço e batendo as panelas. Não pensava muito no futuro, o presente era deliciosamente e inocentemente vivido. A maldade humana era algo muito distante. A vida era colorida aos 14.

As flores que tu plantastes estão novamente perfumando tudo nesta primavera. As árvores, também plantadas por ti, estão carregadas de flores, como se tuas mãos zelosas ainda as protegessem das ervas daninhas. Trezentos e sessenta e cinco longos dias já se passaram desde a tua partida. O sol continua raiando e se pondo, e eu por vezes me pego sorrindo. Por muito tempo achei que não suportaria tua ausência: quando fraquejei, sempre tentei imaginar que conselhos tu me darias no momento de fragilidade e eles vieram sempre, como um relâmpago na mente iluminando a escuridão. E isso me fez ter a certeza de que continuamos juntas, conectadas de alguma forma, a ponto de teus conselhos serem quase audíveis. O amor é o mesmo, a saudade nunca termina e por vezes ainda não consigo acreditar que tu não estás por perto. Ainda não esqueci o número do teu telefone, tua voz, o nome dos teus remédios, tuas dores, o som da tua risada quando eu te fazia sentir cócegas. Às vezes parece que tudo mudou e o mundo não tem mais a mesma cor. Depois parece que nada mudou, que tu só continuas morando longe e que a gente se fala com frequencia. De qualquer forma, tu continuas viva: em mim.

Futuro

E foi então que o dia mais esperado por ela chegou. Desembarcou e andou rapidamente pelo saguão do aeroporto até que, ao olhar para frente, seus olhos encontraram os dele. O tempo parou durante os aqueles segundos: o mundo continuou a girar, as pessoas a correrem para seus destinos, mas para ela só existiam os dois ali, ela olhando fixamente para o homem que mais amou na vida, ele com a cabeça um pouco baixa, sério, mas que não conteve o sorriso quando a viu olhando para ele, sorrindo também. Seus corpos se encontraram em um longo e apertado abraço, corações batendo forte, rostos colados e ela flutuando no doce sabor da felicidade. Foram anos sonhando com este reencontro, tantas lágrimas derramadas de saudade. Tanto sim, quando deveria dizer não. Depois do abraço, deram as mãos (para então nunca mais soltar) e foram em direção ao carro, onde a família dele a esperava, para juntos construírem uma nova história, recuperar o tempo perdido, amar por todo tempo que seus corações viveram separados.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Sonho ou pesadelo?

Senti o calor da tua pele em minhas mãos

O suor quente foi como combustível

Vi meu corpo estremecer quando você me pegou no colo

E me colocou sentada, na altura certa pro teu prazer

O encaixe foi perfeito

Tua boca quente percorreu meu pescoço, minha boca, meus seios

Enquanto éramos dominados pelo desejo

Depois foi a vez de a minha boca mostrar o que sei fazer de melhor

Que é te levar ao céu

Dessa vez minha mente foi longe demais

Quase pude sentir o teu cheiro

Mas o despertador tocou

Foi só mais um sonho sórdido

E eu tive que acordar

Mesmo querendo continuar ali

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Enigma Indecifrável

Enquanto ouço os acordes de guitarra psicodélicos daquela banda britânica tão familiar, perco tempo, perco a hora e quase sempre perco a cabeça na vã tentativa de encontrar uma palavra ou expressão que seja capaz de definir essa não-relação. Ele, enigma: "indivíduo cujas atitudes e sentimentos são indecifráveis", prefere sempre o anonimato, não corresponde às minhas investidas curiosas, despreza meus gostos políticos e minha medíocre inteligência do alto do pedestal em que se encontra, entre seus muitos títulos e possíveis condecorações caso uma guerra fosse deflagrada hoje. E no fundo do abismo que nos separa, tem uma química incontrolável que nos une. Tudo que desconheço de sua personalidade, conheço em centímetros quadrados de seu corpo. A não-relação que no passado distante se tratava de luxúria, álcool e drogas agora está a um passo da evolução. E não é uma evolução clichê, porque nada desde o começo aconteceu como os romances baratos prevêem. Está chegando a hora de colocarmos nossos desejos antigos em prática, tornar realidade os momentos idealizados e só então descobrir verdadeiramente a razão de tudo, desde o começo. Na vitrine, uma vida "normal"; nos bastidores dominador e dominada?

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Alta velocidade

O ponteiro que marca a velocidade não tem mais para onde ir, chegou ao fim da linha e treme como alguém tendo uma convulsão. Ela corajosamente coloca cabelos, rosto e braços para fora do carro e curte o vento no rosto de quando se está há mais de 200km/h. O volume mais alto do som toca uma música eletrônica que levantaria até um acamado de seu leito desprezível. E ela vai curtindo a batida, aproveitando os momentos em que a adrenalina anestesia as dores que ardem em seu coração. Volta para o carro e faz uma carreira de cocaína na mão mesmo e cheira como se inalasse o perfume dos Deuses! E onde essa noitada vai acabar? Não interessa! Ela só quer curtir sem pensar no amanhã e aceita correr os riscos, pois se o pior acontecer a lição que fica é a de que ela morreu tentando esquecer todo entulho acumulado em seu coração, morreu tentando juntar os pedaços de si mesma que foram se espalhando com o vento depois que ele partiu e a partiu... Ela não foi capaz de apagar as marcas, as lembranças, a saudade... e as carreiras cheiradas foram utopicamente poeira do seu próprio ser que ela inalou, na inútil tentativa de se restituir...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Inconstâncias

As vezes relembrar é doloroso. Revivemos mentalmente aquilo que um dia vivemos realmente e não raro a nostalgia vem ao meu encontro. Então me pego aqui, querendo reviver o passado, voltar no tempo onze anos e aproveitar tudo outra vez. E beijar muito mais, apertar mais forte aquele homem nos meus braços, namorar seus olhares, arrepiar quando a pele dele encostava na minha, sentir novamente borboletas no estômago, sonhar e ser carinhosamente chamada de 'Deusa'. Reviver as loucuras de jovem casal apaixonado, essas lembranças hoje se tornam esperança, sei que o fim nunca existiu realmente; eu vou continuar esperando ele voltar até o meu último suspiro... mas minhas esperanças são tão infundadas, elas não tem do que se alimentar, sobrevivem apenas dos meus sonhos... Seria a mulher mais feliz do mundo se ele desse um sinal, um sim, um "me espera", mesmo que nunca aconteça, me bastaria sonhar com isso a vida inteira...Quanta coisa eu fiz pra esquecer e nunca consegui... será que era pra esquecer mesmo? 



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Pequenas Coisas

E foi então que eu me vi aqui, tentando encontrar a felicidade nas pequenas coisas porque olhando de uma maneira geral o quadro é desesperador. Alegria é ficar em casa trancada o dia todo, com as cortinas fechadas, um filme na TV e me perdendo ao perder incontáveis minutos navegando aleatoriamente na internet. Alegria é ver meus gatos pedindo carinho e eu saber que tenho muito para dar, mimar eles o dia todo, dormir com eles, ve-los brincar e me olharem com aquele olhar que diz "te amo", mesmo sem falar... Alegria é ver as pequenas descobertas sobre mim mesma a cada seção com o psicólogo. É ter a medicação para depressão diminuída. É chegar cedo em casa e curtir a minha própria companhia, sem pressão, sem pressa, segura de que ali é o meu espaço no mundo. É ter um homem que me ama da maneira mais descomplicada possível, que faz o impossível pra me ver sorrir, que me compreende como nenhum outro ser humano no mundo é capaz de compreender. É pagar a última prestação de uma conta, é o cheiro da casa limpa e eu de banho tomado, esperando o tempo passar enquanto degusto um chimarrão. Felicidade é não ter problemas de saúde, é saber que aqueles que eu amo estão bem, que a vida está passando tranquilamente apesar de muitas vezes eu enxergar defeitos em tudo. É ter pai e mãe sempre por perto! Eu me esforço muito para ver sempre o lado positivo das coisas, embora meu mapa astral seja dominado por capricórnio, o signo mais pessimista do zodíaco. Porque nesta vida temos duas formas de encarar as coisas: ver o lado negativo de tudo ou o lado positivo. Não tenho grana pra fazer a viagem dos meus sonhos, mas tenho casa, trabalho, saúde, faculdade gratuita... Não tenho a aparência que eu sonho em ter, mas estou correndo atrás para melhorar. E a vida vai continuar tendo seus altos e baixos, o lado ruim e o lado bom de tudo. O que define se ela vai ser leve ou complicada é como a enxergamos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Sem resposta

Qual o sentido da vida? Busco me encontrar, achar o meu lugar, a minha missão e só me perco dentro de mim mesma, entro em labirintos que me levam a caminhos tortuosos, e eu grito, mesmo em silêncio, e respondo que está tudo bem enquanto meus olhos clamam por ajuda, mas ninguém sabe decifrar... e então eu sigo caminhando, engulo a dor e as perguntas sem respostas, esboço sorrisos amarelos e visto a fantasia de que sou uma pessoa normal. Mas lá dentro eu só queria um bar, tocando rock pesado, bebidas fortes e um som tão alto a ponto de abafar meus gritos, porque eu nunca quis tanto gritar na minha vida como agora... me deem todos os cigarros do mundo, drogas leves até as mais fortes, qualquer coisa que acalme minha mente inquieta e sedenta por respostas, sedenta por experiências que me façam transcender a mim mesma, tocar o sobrenatural, entender o porquê de tudo! Eu só quero me entender, compreender a razão das coisas serem como são, o porquê de eu estar aqui, nesta era, neste tempo, nesta vida... estou cansada de tentar me encontrar e só me perder... cansada de tanta falsidade, de pessoas que dizem estar do teu lado e não te oferecem cinco minutos de seu tempo, cansada de pessoas que se julgam detentoras da verdade e que sempre pensam ter razão em tudo! Estou farta de tudo, da minha vida, da minha busca, dos desencontros, da rotina, da escravidão em nome da sobrevivência, eu quero ser livre! Eu quero respirar, eu preciso de ar! Preciso de vida!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Breu



Minha alma está morta. Não reajo à mais nada, embora meu corpo continue respirando e meu coração batendo, mecanicamente, sem sentido algum. Estou cansada de lutar contra a depressão: nessa queda de braço eu sempre perco. Então, chega de mostrar ao mundo que está tudo bem, enquanto lá dentro está tudo sujo, bagunçado e pixado. Todos me perguntam se está tudo bem, respondo "mais ou menos" e então perguntam de novo "o que houve?" e eu digo "nada, e este é justamente o problema". Eu tenho todos os motivos pra sorrir, segundo o senso comum. Tenho casa, trabalho, faculdade gratuita, família, amigos (esses não tenho mais certeza de que ainda estão lá). Talvez realmente eu tenha muito, talvez eu tenha realmente a vida que muitos gostariam de ter. Mas a depressão é isso, mesmo tendo uma vida quase perfeita, você não consegue ser grato, não consegue ser feliz com isso, pois não é o suficiente. E se me perguntarem o que falta, o que eu queria, não sei dizer. Depressão é estar infeliz o tempo todo, mesmo tendo tudo, e não saber dizer o que te faria feliz, ou o que faria você se sentir melhor. Me sentiria mais confortável se eu estivesse completamente sozinha, no meio do nada, tendo por companhia apenas livros, animais e a natureza... talvez assim eu conseguisse resgatar a minha vontade de viver. O fundo do mar é tão escuro...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Banalidades

Os anos passaram sem que eu pudesse controlar a torrente de acontecimentos que me trouxeram até aqui. A vida foi fluindo feito rio durante uma tempestade e eu fui tentando me acomodar em meio a correnteza, que passou rápido demais, mal pude observar a paisagem e agora aqui estou: saindo da casa dos vinte anos para entrar nos trinta. A maturidade nos fazer perder a paciência para muitas coisas, inclusive para pessoas e relações complicadas. Adultos, perdemos o tato para a sensibilidade alheia e nos tornamos práticos demais, querendo resolver as coisas rápido para podermos descansar na frente da TV e dormir em paz. Dez anos atrás era totalmente abominável ficar em casa em um sábado a noite assistindo TV, agora é o paraíso. A jovialidade deu espaço à responsabilidades infinitas! Não podemos perder a hora, não podemos faltar ao trabalho, nossos recursos são limitados para aproveitarmos a vida como deveríamos aproveitar. Não se vive plenamente, é um corre-corre em meio a correnteza... Quando percebo que tudo está mecânico demais, observo a paisagem da janela do trem. Abro a janela para a luz da lua entrar enquanto penso: o que me fez estar aqui, neste lugar, nesta vida, nesta casa, nesta família, neste relacionamento, neste trabalho? E essas são perguntas sem respostas, apenas me abro para que o Universo me ensine o que preciso aprender para evoluir. Me entristeço enquanto tento achar sentido para tantas coisas... e maioria delas não tem. Então, procuro encontrar a felicidade nas pequenas coisas: livros, filmes, momentos com quem eu amo, surpresas agradáveis e banais do dia a dia. Não sei se a vida pode ser mais do que isso.

sábado, 15 de outubro de 2016

Acaso do destino?

Deu a última tragada no cigarro e jogou o toco fora, manchando o filtro com um risco de seu esmalte vermelho. Abriu a porta e entrou no apartamento dos pais, para onde voltara depois da separação. Abandonou um relacionamento que pra ela estava falido, "5 anos de sua vida jogados no lixo" - pensava quando lembrava de coisas que lhe davam ódio. Tentando ser forte, juntava seus pedaços entre uma entrevista de emprego e outra. Queria conhecer pessoas, viver plenamente. E foi então que o destino promoveu o seu mais grotesco e intragavel acaso. Um homem, muito diferente do que ela estava acostumada. Cultura, sotaque, voz envolvente, corpo másculo, postura de homem, dono de si, maduro, e mais mil qualidade que a atingiram com a força de um furacão. Com ele viveu apenas uma lua de mel. Bebeu daquela água, comeu aquela feita e lambeu até o caroço. Coração e ego fragilizados, foi presa fácil, ela caiu de 4, de frente, de lado, por trás. Em nenhum segundo sequer supôs que seria mais um caso banal. Ela só se entregou, se deixou viver uma paixão, primeiro amor de mulher, por que os de menina se tornaram pouco pra ela. Depois ele partiu, com a promessa de esperar ela de mala e cuia para nunca mais sair daquela embriagez que só a paixão causa. Ele não cumpriu a promessa é sumiu. Ela chorou, se odiou, tentou odiá-lo, em vão. Ela seguiu de novo, fingiu que não deu bola porque seu orgulho era de ferro, mesmo que sozinha às vezes se perdesse em pensamentos imaginando como seria sua vida se ele não fosse um fraco, falso, mentiroso. E lá vem o destino de novo: ela foi embora pra perto dele, jura que não foi por causa dele, mas há que se duvidar. Nunca mais se viram, uma cidade tão grande, quase impossível se encontrarem. E quem sabe um dia, dobrando a esquina, no carnaval, ela esbarre naquele sorriso avassalador... Bom, essa será outra história pra contar.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

24 de junho


Mais um 24 de junho chegou e tudo que eu queria era que esse dia não significasse nada, que fosse só mais um dia comum, mas infelizmente existem marcas em nossas vidas que nem o tempo é capaz de apagar, talvez a morte me faça descansar dessa nostalgia angustiante e dessa esperança que não quer morrer... Hoje faz dez anos do dia 24 de junho mais lindo que eu poderia viver nessa vida! Dói lembrar do quanto eu fui feliz, uma felicidade próxima de um pedaço de céu e hoje eu só queria reviver cada segundo daquele dia... Da noite mal dormida de ansiedade, das horas em frente ao espelho pra ser a mulher mais bonita que ele poderia encontrar, do frio na barriga enquanto íamos de encontro um ao outro e de achar ele mais bonito do que nas fotos! Sim, menino bonito, charmoso, encantador... Um homem tão sonhador e determinado, contrário de mim, pois hoje, enquanto escrevo sobre esse homem e sinto as lágrimas rolarem sem que eu perceba, sei que ele realizou todos os sonhos que eu sabia que ele tinha, sonhos esses de que fiz parte durante um breve tempo, mas que o destino foi mais forte e nos disse não. Hoje eu só queria acordar e viver como se esse conto de fadas real não significasse mais nada, mas minha memória é cruel e me faz lembrar sim de cada segundo daquele 24 de junho, do vinho tomado ao sol juntos, enquanto ele me falava da vida dele, mostrava fotos da família e dos amigos, e por hora me roubava um beijo delicado que depois foram mais intensos no sofá da sala... O ingrato nessa história é que já se passaram dez anos, passarão 20 e trinta ou mais, e eu ainda vou lembrar, enquanto ele segue a vida como se eu nunca tivesse existido! E meu coração teima em esperar... Dez anos que eu dei tudo que eu era, tudo que eu sonhava, tudo que eu sentia a um homem digno de cada sonho que com ele sonhei, de cada beijo que lhe dei, da pureza que entreguei e em seus braços me fiz mulher, digno de cada lágrima que por ele derramei, de cada dor e explosão de amor que ele me fez sentir, de cada momento intenso que com ele vivi, de cada dia em que levo seu nome guardado dentro de mim, e de sua voz eu só queria ouvir que um dia vai voltar, para que eu passe mais 10, 20, 30 anos ou a eternidade esperando! "Os nossos caminhos diferentes me levam a você..."